terça-feira, 28 de julho de 2009

Entrevista // Dani C. (Digitaria/BH)



Dani C, vocalista do Digitaria, apresentará seu DJ set nessa quinta-feira na 105ª edição do 5uinto. Conversamos com ela sobre o Digitaria, seus sets, a cultura DJ, Belo Horizonte e mais! Confira essa entrevista exclusiva abaixo!

Certamente o Digitaria deu o ponta-pé inicial em sua carreira artistica. E antes disso? Qual era sua relação com a música?

Meu interesse por música comecou muito cedo. Havia um piano velho na casa da minha avó onde eu podia passar horas tirando músicas de ouvido, era muito mais divertido pra mim do que qualquer outra brincadeira. Mais tarde estudei tanto piano como guitarra também.

O Digitaria sempre transpareceu um desprendimento a rótulos. Vocês fazem músicas variadas, de estilos variados, e que mesmo assim possuem características singulares. Na sua concepção, a diversidade torna o trabalho mais completo, ou a segmentação (o foco em somente uma vertente) enriquece o mesmo?

Sempre fazemos o que temos vontade de fazer na hora, sem nos preocuparmos muito com rótulos ou fórmulas. A música eletrônica nos dá uma possibilidade infinita de formas de expressão, e tentamos explorar ao máximo novas idéias e conceitos. De qualquer forma, existe uma idéia por trás do Digitaria, e acho que isso transparece em nossas músicas, seja nas mais calmas e nas mais direcionadas para as pistas.

Somos brasileiros e não desistimos nunca (risos)! Apesar disso, produzimos músicas genuinamente européias, por exemplo, compostas com vocais em inglês e também toda umas estética, digamos, gringa. Essa é nossa veia musical, que certamente se deve às nossas influências. Apesar disso, quais as possibilidades, ao seu ver, de introduzirmos nossa cultura (brasileira) na música?

Bem, se formos considerar a música eletrônica como algo europeu temos que considerar todas as bandas de rock e pop e jazz como americanas também, assim como toda a cultura de DJs. Acho que o mundo de hoje é uma troca de culturas como nunca antes houve na história. O samba, considerado tipicamente brasileiro, teve sua gênese na áfrica. Acho que o papel de qualquer artista é somar suas emoções ao tipo de arte ue escolheu produzir. Somos brasileiros, vivemos aqui nossa vida inteira, nossas vivências são brasileiras. Seria impossível não fazermos música brasileira.

Com relação a seus DJ sets, suponho que tenha sido uma iniciativa natural de mixar aquilo que você gosta de ouvir/dançar. De que maneira a música que você toca influencia a a que você produz?

Quando estou produzindo, é raro pensar nesse ou naquele artista, deixo sair naturalmente. Mas acredito que de forma inconsciente as influencias exercem algum tipo de forca no meu trabalho.

Diante a tantos novos recursos, como softwares de mixagem/produção, e também a popularização da mídia digital (música vendida/baixada em mp3), como você vê o DJ hoje em dia? O que define o autêntico DJ?

Minha opiniao pessoal, é aquele que tenta contar uma história atraves de um set, que concilia aquilo que gosta com o gosto do público . Busque sempre novidades sem esquecer tantas coisas maravilhosas do passado na música eletronica que podem ser exploradas. Que acima de tudo tenha amor e se dedique ao trabalho.

Mesmo sem técnica, ou seja, não mixando aquilo que tocam, existem aqueles que fazem DJ sets somente pelo prazer de tocarem aquilo que gostam de ouvir. São geralmente entusiastas que buscam se divertir, divertindo quem está na pista. Você os considera autênticos DJs?

Essa é uma boa questão. Em teoria, um bom DJ é o DJ que faz as pessoas que estão ali se divertirem. Técnica sem emoção não vale de muita coisa. No entanto, é claro que, quanto mais o DJ se dedica ao ofício, melhor ele fica. Mixar bem uma música na outra não é apenas uma frescura, é uma técnica que faz com que haja um fluxo melhor no set dele. Hoje em dia qualquer um pode ser um DJ, mas é claro que existem os melhores e os piores. Quanto mais fundo você vai na coisa, melhor você fica, e isso se reflete na pista.

Belo Horizonte é conhecida por abrigar uma cena eletrônica antiga, o que também leva a presumir maturidade do público. Há diversos artistas, investimentos, festas e também clubes. Como você vê a cena mineira?

Acho uma das cenas mais fortes do Brasil sem dúvida, ainda que tenha suas dificuldades. Tem muita gente empenhada em fazer com que essa cena cresca ainda mais.

Você esteve recentemente no 5uinto, apresentando o live do Digitaria, que foi muito bem comentado. Quais serão as diferenças dessa próxima apresentação, e o que o público poderá esperar por essa noite?

As apresentacoes do Digitaria sao mais organicas e feitas com músicas compostas por nós mesmos. Meu dj set sao minhas influencias, que sao muitas e de vários estilos e vertentes. Musicalmente nem eu mesma sei especificamente o que o publico pode esperar, costumo saber isso na hora, mas com certeza podem esperar alguém que está tremendamente satisfeita por estar tocando no 5uinto, que é umas das festas mais legais pelas quais eu passei.

Se você tem algo mais a dizer, deixe seu recado após o sinal... ;)

Fiquei muitíssimo feliz e agradeco por terem me escolhido na enquete, aguardo a festa ansiosamente!

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